A curiosidade matou o gato

Esse é um ditado popular que quem convive com um gato, especialmente filhote, logo verifica ser mais do que verdadeiro.

Um objeto, papel, inseto, folhas ou qualquer outra coisa que caia no chão no ambiente em que está o gato, é imediato objeto de cuidadosa observação dele, após uma corrida veloz para se aproximar.

Não raro estendem de imediato uma das patas dianteiras com as garras abertas para literalmente cutucar o corpo estranho.

Se for uma bola de papel ou plástico brilhante jogada de propósito no chão, fica entretido por alguns minutos empurrando com as patas de um lado para o outro esperando, imagino, algum tipo de reação.

Se for um inseto, fica alucinado em sua perseguição dando pulos e subindo nos móveis na tentativa de agarrá-lo.

Se bem sucedido na captura, fica horas atazanando o pobre bichinho agarrando-o e trazendo de volta ao seu raio de ação a cada tentativa de fuga, na maioria das vezes até que pelo cansaço ou morte o pobrezinho para de se movimentar e de despertar a atenção do gato.

Qualquer modificação no ambiente é instantaneamente notada e inspecionada, seja um dos moradores que entre em casa com uma sacola, seja o vento que sacuda a cortina ou abra uma porta ou janela.

O melhor ainda para despertar sua atenção são as misteriosas cavernas que habitam os armários, móveis e até mesmo a geladeira.

Basta abrir uma porta ou uma gaveta, e como num raio lá chega o gato para verificar seu conteúdo, sendo comuns as estórias contadas por pessoas que com eles convivem, de terem por engano prendido o gato em um armário ou em um cômodo menos visitado sem se dar conta disso, mobilizando todos na casa em busca de um gato perdido.

Ouvi uma vez um relato, não sei se lenda ou verdadeiro, de um gato que ficou preso e morreu asfixiado dentro de uma geladeira e que só foi encontrado já duro de congelado.

Nunca soube de acidentes envolvendo gatos com substâncias e/ou bichos venenosos que me fossem contados por pessoas que neles se envolveram diretamente, mas acreditaria piamente se me contassem, porque eu, por experiência própria já aprendi que nada mais verdadeiro que o ditado criado pela sabedoria popular.

Autor: Carlos Fernando C. Motta
Escrito em: janeiro/2016