Animais e o caráter de seus donos

“A compaixão pelos animais está tão ligada com a bondade de caráter, que se pode afirmar que quem é cruel com os animais, não pode ser bom”.

Como quase todos os juízos de valor simplistas, essa frase atribuída a Schopenhauer é factível de críticas e contestações imediatas.

Não cabe perder tempo procurando nela uma verdade universal que implicaria em que todas as pessoas que gostam e tem carinho por animais
são boas, e aí estão vários e vários exemplos de pessoas cruéis que tiveram paixão por seus animais das quais a mais conhecida e o abominável Hitler, muito menos dizer que quem é cruel com os animais é uma pessoa má.

Porque o curioso dessa discussão é a separação que muitas pessoas que tem paixão por animais fazem entre cães e gatos e as outras espécies criadas com o objetivo único de servir de alimento para nós humanos.

Nada tenho contra quem come carne ou aves embora, por tratar com animais abandonados, tenha acabado me tornando vegetariano sem ser um radical.

Mas acho muito curioso que alguém que ama animais não pare um minuto para pensar que o leitãozinho servido a mesa, era um animal muito semelhante a seu cachorro, ou que o coelho preparado pelo chef é tão semelhante a seu gato que gerou o famoso ditado “confundir gato por lebre”. Ao se alimentar deles nunca passa pelas suas cabeças a crueldade com que podem ter sido tratados aqueles animais.

Mais curioso ainda fico quando as pessoas ficam indignadas pela prática de se comer cachorro em alguns países asiáticos, sem levar em conta que os indianos ficam perplexos por tratarmos de modo tão vil suas sagradas vacas. 

Isso só prova como é difícil existir alguém totalmente desprovido de preconceitos quando o assunto está ligado aos hábitos alimentares, e como a frase acima que começa esse artigo se dissecada em detalhes é no fundo uma afirmação vazia se aplicada de forma universal.

Gostar de animais sim, sem dúvida é um dos indicadores de que uma pessoa tem uma janela para compaixão em sua personalidade ainda que de forma seletiva em relação a algumas espécies, mas isso está muito longe de ser um firme indicador de seu caráter, a vida seria muito mais fácil se julgar um caráter fosse tão simples assim.

Autor: Carlos Fernando C. Motta
Escrito em: janeiro/2015