As cinco bocas de um gato

Todos que lidam com gatos aprendem logo essa lição sobre as cinco bocas de um gato, que são a boca propriamente dita com seus dentes finos e afiados e as unhas das quatro patas.

Basta pegar um gatinho filhote de mal jeito, que ele com medo de cair, vai fatalmente te cravar as unhas nos braços, na sua camisa, no seu peito, e no afã de se segurar vai fazer um pequeno, embora involuntário, estrago na sua roupa e na sua pele.

No meu caso, em que por determinação médica tomo diariamente remédios anticoagulantes, não raro depois de uma dessas ocorrências fico algum tempo tentando estancar o sangramento, a ponto de assustar as pessoas que imaginam que eu tenha recebido sérios cortes.

Na verdade, são micro cortes ou furos, mas ardem e sangram para valer.

Existem algumas maneiras de se evitar esse tipo de incidente:

  1. Nunca deixe de pegar o gatinho primeiro pela pele da nuca, e em seguida juntando as patas dianteiras, de forma a imobilizá-lo antes que seu instinto de se segurar para não cair se manifeste.
  2. Evite brincar com ele mexendo as mãos na sua frente. Ele vai achar que sua mão é um brinquedo e por isso vai cravar as unhas sem piedade toda vez que você aproximar sua mão. Óbvio que o mesmo vale para os pés.
  3. Se for um gatinho muito pequeno que você queira colocar no colo para dar um remédio ou para dar de mamar, enrole ele bem em um pano ou toalhinha imobilizando suas patas.

Lembre-se sempre que esses movimentos não são agressões, são simplesmente reações devidas a seu atilado instinto de sobrevivência, por isso, caso aconteça, é melhor soltar o gato, para deixar que ele se acalme, do que tentar dominá-lo subjugando-o à força.

Se você tentar subjuga-lo certamente vai acabar se lembrando do título desse artigo, quando as cinco bocas do gato enfurecido atuarem no propósito de se liberar de qualquer modo de seu controle.

O curioso é que uma vez que você o deixe livre, em uma questão de segundos ele volta a ser o mais terno bichinho do mundo, numa variação de temperamento que beira o absurdo, sendo essa talvez a razão de se atribuir aos gatos a fama de traiçoeiros.

Autor: Carlos Fernando C. Motta
Escrito em: março/2016